



imagens da montagem da exposição na rua.
obrigada a todos os que ajudaram.
espero que as imagens se aguentem mais alguns dias na parede.
avenida 25 de abril. vila do conde
caxinas
nas caxinas conta-se uma história particular. neste lugar de vila do conde, zona de pesca e de mar, de rijeza e de humildade, há um povo que lutou pela sobrevivência a bordo de um barco.
nas caxinas ouve-se o riso e vê-se a cor. por todo o lado, apesar das gentes sempre vestidas de preto. não há família caxineira que não tenha perdido alguém no mar.
nas caxinas vive-se com emoção. com orgulho nas raízes. com a coragem e a revolta dos dias vividos no limite do medo. com um dialecto que é único. são “estátuas de bronze a andar”, os caxineiros da poesia de josé régio. não se sabe a origem da palavra. poderá vir do latim “cachinare”, que significa rir às gargalhadas.
nas caxinas vive-se em casas de azulejos alegres, com peixe a secar nas cordas a meias com a roupa preta. faz-se do passeio público um quintal. passa-se a velhice entre as memórias, as agulhas de tricot, o baralho de cartas e a conversa com quem passa.
nas caxinas já quase não se vive das artes de pesca. filho meu não há-de lá ir parar… e as gerações mudam porque não há futuro no mar.
* a exposição “caxinas” insere-se na QUEIMA do JUDAS 2009, que decorre em vila do conde a 11 de abril, este ano tendo como tema uma homenagem a esta comunidade piscatória.
texto: mafalda martins
fotografia: margarida ribeiro