há quem defenda que os fotógrafos são voyers. mas não seremos todos?
não faz parte da condição humana esta necessidade de observar e interpretar o que nos rodeia? se não faz, devia fazer.
e que a fotografia rouba a alma?! quando a fotografia preserva e prolonga no tempo a memória,a história. como que imortaliza a vida.
“o olho mágico” e a máquina fotográfica são os instrumentos com que espreito o mundo descomprometidamente, sem qualquer preocupação em encontrar uma perfeição técnica.
passados 10 anos muita coisa mudou…mas algumas continuam iguais, parece que o tempo não passa ao mesmo ritmo para todos.
há 10 anos eu fotografava em pelicula, confesso que sinto alguma saudade do ritual mas rendi-me ao comodismo da era digital e do seu efeito imediato que faz parecer que o tempo passa cada vez mais rápido.
a este ritmo daqui a 10 anos registo este mesmo espaço directamente para o disco incorparado no cérebro…
está a ser muito emotiva esta investida nas caxinas. tenho a sensação que é um trabalho sem fim.as pessoas de mais idade estão tão disponiveis para contar histórias. é comovente este calor humano de pessoas que sofreram ao longo de uma vida, mas continuam rijas e com uma alegria que contrasta com o peso do luto.
o caxineiro orgulha-se das suas raizes e não suporta que denigram a sua imagem mostrando apenas o lado negativo duma terra que tem tanta história positiva e digna de ser contada.
claro que o peso da perda humana está sempre presente e bem visivel tornando impossivel não o mostrar. mas existe cor nas caxinas, existe uma alma forte e intensa, a verdadeira garra dum povo capaz de se erguer perante as amagruras da vida.
é comovente este orgulho caxineiro!
as pessoas só evoluem quando não se envergonham das suas raizes.